Não consigo ser feliz no meu trabalho, mas preciso dele para viver. O que fazer?

Não suporta seu trabalho mas precisa do salário? Entenda o que muda entre não gostar da função e não combinar com a cultura da empresa.

Alessandra Milet

9/1/20263 min read

É Possível Ser Feliz no Trabalho?

Se você vive pensando: "Eu não suporto o meu trabalho, só venho todos os dias porque preciso do salário para me sustentar." Deve se fazer essa pergunta sempre: É possível ser feliz no trabalho?

Essa é uma das perguntas que mais recebo nas minhas sessões de mentoria. E olha, ela vem sempre acompanhada de uma angústia parecida: "Como posso ser feliz, se não vejo sentido no que faço?"

Depois de 15 anos dentro do RH de grandes empresas e, hoje, atuando como Orientadora de Carreira, posso te dizer uma coisa: essa pergunta quase nunca tem uma resposta simples. Mas ela tem um ponto de partida muito claro. E é por aí que eu começo com todas as pessoas que me procuram com essa questão.

O problema é a função ou é a empresa?

Quando alguém me traz essa demanda, a primeira coisa que eu faço é investigar: você não gosta do que faz, ou não gosta da cultura da empresa em que trabalha?

Parece um detalhe, mas não é. Às vezes o problema não está na sua formação, na sua função ou na sua carreira, está na combinação entre o que você acredita e o que a empresa pratica no dia a dia.

Você enxerga seu trabalho como algo ruim ou como uma oportunidade de se desenvolver como profissional?

Hoje se fala muito em fit cultural (quando a cultura da empresa está alinhada com a cultura do colaborador), e por um bom motivo. É importante entender:

A empresa tem uma cultura mais fechada e rígida?

Tem uma estrutura familiar ou se é uma empresa de capital aberto, com sociedade?

Esses formatos influenciam bastante o modo como a empresa se posiciona, como decide, como trata as pessoas. E pode ser que, para você, esse tipo de estrutura simplesmente não combine, e está tudo bem, isso não é uma falha sua.

Mas eu preciso do salário, e agora?

Essa é a parte mais difícil da conversa. Sabemos que trabalhar com o que gosta e faz sentido é muito bom, mas todos nós temos necessidades básicas para suprir. O sentido é importante, mas os boletos não param de chegar.

Se você identificou que está em uma empresa cuja cultura não tem a ver com você, o caminho não é o abandono impulsivo. Mas sim o planejamento!

Entenda que essa provavelmente não é uma empresa onde você vai construir uma carreira longa, e comece a se planejar para uma transição, para um lugar que converse mais com quem você é ou com o seu estilo de vida.

Enquanto isso não acontece, tente encontrar algo no seu trabalho atual que te dê sentido, mesmo que seja difícil.

  • Faça uma lista das coisas que você gosta e que faz bem no seu dia a dia, e se apegue a elas para se manter motivado.

  • Mesmo não estando no melhor lugar, você pode colaborar com seus colegas para tornar o ambiente mais leve, isso também está dentro do seu controle.

E um lembrete importante: não trabalhe apenas para sobreviver. Aproveite o agora. Não deixe para viver a sua vida só quando se aposentar.

Como avaliar o que é melhor para mim?

Existem ambientes dos quais você realmente precisa sair, porque a cultura não é saudável. Mas, antes de qualquer decisão, vale se preparar para buscar uma empresa melhor, mas com intenção, não no impulso.

Um exercício que recomendo bastante nas minhas sessões: faça uma lista das coisas que são importantes e inegociáveis para você.

Pode ser:

  • Morar perto do trabalho;

  • Atuar em um setor com o qual você se identifica, ou trabalhar num modelo de gestão específico.

  • Entender o seu perfil comportamental também ajuda muito nesse processo, porque ele revela a sua própria visão sobre o mundo e sobre como você trabalha melhor.

E vale lembrar: nenhuma empresa é perfeita, assim como nenhum de nós é perfeito. Se você quer um ambiente melhor, você também pode contribuir para isso.

Pense: O que você pode fazer, hoje, para melhorar o seu local de trabalho?

Por onde começar

Se você chegou até aqui se identificando com essa história, comece pelo básico:

  • Entenda se o problema é a função ou a cultura;

  • Liste o que já te dá sentido no seu dia a dia;

  • Defina o que é inegociável para o seu próximo passo.

    Esse mapeamento já é o início de um planejamento de carreira mais consciente.

E se você sente que precisa de um olhar mais próximo para o seu caso específico, agende uma sessão de orientação de carreira comigo. Vamos entender juntos o que faz sentido para a sua trajetória.